Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

Pódio dos Piores Programas (meses Junho, Julho, Agosto, Setembro)

Como é natural, o Verão e a rentrée não estão marcados simplesmente por bons programas. Há sempre quem se lembre de fazer qualquer coisa de horrível e energúmena para que a critiquemos. Parece que querem mesmo desenvolver a nossa capacidade crítica. O que é óptimo!
Assim sendo, eis os programas que têm a honra de pisar o Pódio dos Piores Programas de hoje.




Em 3º lugar, deparamo-nos com a nova telenovela da SIC. E, quanto a ela, tenho a dizer que o que já suspeitava acabou deveras por concretizar-se: Graças ao sucesso de Laços de Sangue, que conquistou as audiências que conquistou unicamente pelo facto de ser boa, Rosa Fogo foi sobejamente publicitada e venerada por todos, muito antes de estrear. Isto significava que, mesmo que a telenovela fosse um escarratório, quando estreasse, todos iriam adorá-la. E a verdade é que é péssima. Nem o estatuto de escarratório chega a alcançar, coitadinha.
Portanto, Rosa Fogo não serve para nada.
Para terem bem uma noção, nem o 1º episódio consegui ver até ao final. Eu, que vejo todas as estreias! Como é que isto é possível? Pois bem, eu digo-vos: Quando se vê mais do mesmo durante anos e anos a fio, chega-se a uma altura em que é preciso olhar-se com olhos de ver para as coisas e perceber-se que já não valem a pena.
O primeiro episódio, tal como todas as telenovelas cliché da TVI, abre com planos lindíssimos e com uma edição espetacular. Neste caso, foi-nos apresentada a dança caliente que é o Tango.
Mas as comparações do 1º episódio de Rosa Fogo com as telenovelas da TVI não ficam por aqui:
1 - Os actores e a equipa técnica viajam para um país qualquer, só para filmarem o 1º episódio, que nunca mais volta a ter importância na história;
2 - O Rogério Samora tenta fazer com que o seu personagem pareça culto, num guião escrito pela Patrícia Müller;
3 - Existe uma criancinha aparvalhada que é muito boazinha e que sabe logo quem são os maus da história, passando-se um atestado de estupidez aos personagens adultos;
4 - As mulheres são muito sofridas e, por isso, vão acabar todas bem no final da história;
5 - O Manuel Cavaco faz de homem rude, sem estudos e bicho-do-mato;
6 - Por ser uma história da Patrícia Müller, nenhum personagem sabe dizer uma palavra com mais de três sílabas;
7 - A Cláudia Vieira faz de Cláudia Vieira;
8 - A protagonista divide-se entre dois amores e, no final, a Patrícia Müller entrega-a ao que for mais bonzinho, pensando que fez algo super-original e surpreendentemente épico.
E pronto, temos mais uma telenovela horrenda no Horário Nobre da televisão portuguesa. E, por ser vazia de conteúdo e ter sido empurrada para o sucesso através de Laços de Sangue, consegue ocupar o 6º lugar dos programas mais vistos.
Em 2º lugar, está presente um dos muitos flops estivais da TVI: Canta Comigo. A ideia não é nada original, mas percebi a intenção de tornarem o programa leve e fresco, trazendo-o para a rua. Contudo, Rita Pereira conseguiu afastar os telespectadores do canal 4 logo na sua estreia. A actriz  (sim, unicamente actriz e modelo) perdeu-se completamente no seu raciocínio, teve paragens quando olhava para a câmara, esteve nervosa o programa inteiro e suspirava de alívio sempre que empurrava a emissão para Nuno Eiró.
Só no 2º programa se lembraram de auxiliar a "apresentadora" com o teleponto, sendo que melhorou a sua prestação consideravelmente, passando do nível 0 para... o 1. E já é bom.
Além disso, alguém se lembra do fantástico, apoteótico, fenomenal prémio deste programa irritantemente mal filmado? Pois bem, o vencedor recebeu... a oportunidade de gravar uma música para uma telenovela da TVI! Uau. A vida dele deve ter mudado.
Como se tudo isto não bastasse, a TVI atirou-nos à cara que este seria um programa low-cost, quando nem se deram ao trabalho de fazer uma sessão fotográfica de Rita Pereira. Em vez disso, foram buscar imagem da vilã Helena, de Remédio Santo e colaram-na sobre o logotipo do programa. E pronto. Trabalho mais rápido (e mal feito) não há!
Finalmente, em 1º lugar, está 5 para a meia-noite. Ah! Tenho a dizer-vos que a plataforma onde a imagem do programa está pousada não é um pódio. É uma lápide. Pois é, eu estou a enterrar à minha maneira o que foi, em tempos, o melhor Talk Show humorístico português.
Depois da saída de Filomena Cautela e de Fernando Alvim, o grupo de humoristas perdeu a força, mesmo com a chegada de Carla Vasconcelos e Luísa Barbosa. É como quando se parte uma jarra e se tentam colar os pedaços. Notam-se sempre as falhas entre eles. Se eu fosse o próprio do programa, desistiria de tentar colar esses pedaços de vidro. Pegaria num deles e cortaria os pulsos. Ainda por cima, para agravar tudo isto, as novas apresentadoras não têm jeito para conduzir o programa. É claramente visível a falta de espírito do "5" na figura delas. Nota-se que não foram elas que se esforçaram por agarrar o público num canal desprezado pela população. Não foram elas que, cada uma com o seu jeito, se uniram aos restantes apresentadores e formaram uma família. Não foram elas.
O estado de alma de cada dia alterou-se com a troca de apresentadores, durante a semana. O 5 para a meia-noite está em fase terminal.
Foi bom enquanto durou.
O Pódio regressa brevemente!

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