O PREÇO DA INCOMPETÊNCIA (CRÍTICA A DESTINOS CRUZADOS)

21:35

Destinos Cruzados não é uma das melhores novelas da TVI. Mas será que merece o descrédito que está a ter, quer pelo público quer pela crítica?


A mais recente telenovela da TVI foi apresentada como a sua salvadora. Esta seria a história que iria recolocar o canal na liderança, no que diz respeito ao horário nobre. E prometeram-nos mundos e fundos, aliás, como já é hábito da TVI: Uma boa história, realização inovadora, óptimas interpretações, mais investimento, etc, etc.
Mas, a curto prazo, não se cumpriu o que fora assegurado, aliás, como também já é hábito da TVI.


Contudo, depois do vergonhoso despautério que foi Remédio Santo, é notório o esforço de António Barreira e da sua equipa de guionistas em querer contar uma história ligeiramente complexa, mas verosímil, leve mas com momentos de grande intensidade, popularucha, mas com algum requinte.

A trama gira à volta de duas sósias. Laura Veiga de Andrade é a típica vilã rica, prepotente e altiva. É amante do noivo da filha e pretende fugir com ele do país, depois de roubar o marido, Jaime. Contudo, o plano de roubar o cofre sai-lhe gorado e Eduardo, o amante, decide casar-se com a filha dela. Irada, Laura tenta matá-lo e foge, para choque de todos.
Já Sílvia Moreira é o estereótipo da heroína de telenovelas: Sofrida, sem personalidade e pobre.
As duas encontram-se por acaso  numa bomba de gasolina, que explode. Sílvia fica inconsciente e perde a memória. Laura aproveita esse facto para trocar as identidades de ambas e acaba por ir parar ao mundo de Sílvia, ao passo que a heroína é recebida em casa dos Veiga de Andrade, sem se lembrar de quem é.


As cenas entre as personagens Sílvia e Laura acabam mesmo por ser a força motriz desta telenovela, não só por Alexandra Lencastre estar à altura do desafio concernente à contracena consigo própria, mas por serem um momento de espectacularidade, até porque há situações em que se logra jogar criativamente com a câmara.


Todavia, essas cenas são cada vez menos abundantes e, actualmente, quando ocorrem, não é revelado nada de novo.
Melhor dizendo, há semanas inteiras em que a presença da protagonista nos episódios é coisa rara. Valem-nos certas interpretações que tentam preencher esse vazio (as prestações de Marina Mota, Ruy de Carvalho, Eunice Muñoz, Rita Loureiro e Maria João Bastos são magnificentes).


A par do descuro crescente respeitante ao desenvolvimento da história principal, também a preocupação com a realização e o gancho no final dos episódios se foi quebrantando com o passar dos episódios.
Destinos Cruzados começou bem, como qualquer telenovela da TVI, mas foi perdendo qualidade, também como qualquer telenovela da TVI.


Mas não chegou ao fundo do poço. Algumas das interpretações, que continuam aplaudíveis, e a ideia por detrás de toda esta história seguram o produto.
A questão é: Com as últimas despiciendas telenovelas a que nos foi habituando, conseguirá a TVI reconquistar o horário nobre, mesmo que nos ofereça uma história melhor que a suposta salvadora Destinos Cruzados?

Destinos Cruzados é actualmente transmitida às 21:50h, na TVI, e soma já mais de 150 episódios.

Avaliação: *




*
☆☆☆☆☆- Péssimo
★☆☆☆☆- Mau
★★☆☆☆- Razoável
★★★☆☆- Bom
★★★★☆- Muito Bom
★★★★★- Excelente

3 comentários

  1. Este texto é a prova provada que, como já alguém disse, nem todas as opiniões são valiosas. Esta, pelo grau de ignorância que apresenta, não o é, com certeza. O trabalho dos outros pode ser avaliado mas nunca criticado... (Esta opinião estende-se também ao texto acerca de Dancin Days e a todos aqueles que foram intitulados como "críticas")

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  2. @ricardoj, obrigado pelo seu comentário.
    Contudo, vejo-me na obrigação de lhe dizer que os programas de televisão, e os trabalhos dos profissionais em geral, são constantemente alvo de críticas, sejam elas favoráveis ou negativas. Logo, não percebo por que diz que os trabalhos devem ser apenas avaliados e nunca criticados. Não sei se por "avaliados" entende "apreciados segundo um ponto de vista sempre positivo". Isso é impossível. Todos os trabalhos têm pontos fortes e fracos e as opiniões dos outros servem para alertar, entre outras coisas, para isso mesmo.
    Para mim, "avaliação" significa precisamente "crítica". E foi isso que eu fiz: Avaliei/critiquei segundo o meu olhar, enquanto espectador, a telenovela em questão. E, a meu ver, todas as opiniões são valiosas, desde que devidamente justificadas. E eu justifico sempre as minha opiniões. Não digo que algo está mal só porque me apetece dizê-lo, nem digo que alguém é ignorante sem explicar porquê, como você o fez.
    Uma coisa é não concordar com a minha opinião. Outra, é dizer que não tem valor simplesmente porque não vai ao encontro da sua.
    E é curioso quando diz que não se deve criticar o trabalho dos outros, quando o seu comentário faz precisamente o contrário.
    Cumprimentos.

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  3. @Nebur, quando digo que um trabalho pode ser avaliado mas nunca criticado, digo-o no sentido em que todos nós temos direito à nossa opinião e, como é óbvio, podemos expressá-la quando e da forma que entendemos, no entanto não acho que ninguém está no direito de criticar o trabalho de outrém, pelo simples facto que apenas quem está inserido no projeto sabe o grau de dificuldade com que este foi trabalhado e o empenho que nele foi empregue. Por muito má que uma coisa seja, o que, na minha opinião, não é o caso, nunca se deve menosprezar o trabalho dos outros, ao criticá-lo. Admito que exagerei ao chamar o texto de ignorante, que como se pode ver pela resposta que deu ao meu comentário, não é um adjectivo que o caracterize, pois quando muitos optariam pela via ofensiva para se defender, consegiu dar uma resposta respeitosa ao comentário sem utilizar qualquer tipo de desrespeito. Peço desculpa se de alguma forma ofendi o seu trabalho. Obrigado

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