UMA SÉRIE DELICIOSA (CRÍTICA A HANNIBAL)

01:21

Hannibal não é apenas uma refeição completa que nos sacia; é a melhor série da NBC e uma das melhores que já vi.

A avalanche de remakes, provocada pelo saudosismo que hoje-em-dia se vive, continua a trazer histórias que, de original, nada têm. Surpreendentemente, Hannibal é a excepção à regra. E a surpresa é ainda maior quando esta série, à primeira vista, não passa da conjugação dos maiores clichés da actualidade: histórias de polícias e de serial killers.


O que torna esta série tão distinta e eloquente é, mais do que a trama em si, as performances dos protagonistas e a atmosfera macabramente tensa, pesada e aterrorizadora.
Contudo, se estão à espera de sustos baratos, desenganem-se. O terror de que falo está presente no requinte que o criador Bryan Fuller imbui em todas as cenas da série, no olhar fatífero do vilão e nos crimes hediondos com que Will se depara em todos os episódios. E é precisamente em torno de Will [Hugh Dancy] que gira a história.

Uma série de crimes com contornos escabrosos e sem um culpado à vista, relacionados com o desaparecimento de jovens, faz com que o agente especial do FBI, Will Graham, se junte à investigação. É que Will tem uma habilidade incomum: Ele sente empatia pura e consegue perceber a mente dos serial killers, sendo que, dessa forma, logra chegar mais rapidamente aos culpados.
Não obstante, Will tem dificuldades em "desligar-se" dos crimes e corre o risco de perder o controlo. É então que Dr. Lecter, psiquiatra forense, se aproxima dele para o ajudar. Ou talvez não.


Com efeito, a série não se deveria chamar Hannibal, sendo que só tem esse título para efeitos de Marketing. Aliás, Hannibal Lecter [Mads Mikkelsen] surge em muito menos, e, indubitavelmente, não tão cheias de adrenalina, cenas que alguns dos restantes personagens. Nem são mostradas as situações em que o psiquiatra canibal comete crimes sangrentos. Atendendo à brilhante prestação do actor, confesso que gostaria de ver essas cenas.


Mas não é preciso. Basta um olhar ou um subtil movimento de Mikkelsen, em jeito de sinal para os telespectadores, para se perceber tudo o que aconteceu, ou vai acontecer. E, tal como já foi dito anteriormente, é nestes pequenos detalhes que jaz o terror e a qualidade desta série.


Como se pode depreender, esta não é uma história de permanente acção e de reviravoltas constantes. Esta é uma série que vive muito do diálogo e das mensagens subentendidas nas palavras proferidas, dos jantares canibalescos de Lecter, das metáforas dos delírios de Will, da sua condição mental e, sem sombra de dúvidas, da estética da direcção de fotografia e realização.


É verdade. Hannibal talvez seja a série menos comercial, em termos de realização e iluminação, transmitida em sinal aberto nos EUA.
Contudo, ao passo que, tanto esses elementos, como a escrita, os diálogos e, sobretudo, as interpretações e a química inegável entre Mikkelsen e Dancy são majestosos, a série tem fracas personagens femininas, embora estejam decentemente interpretadas.


Mas, ao fim e ao cabo, no final das contas, o que importa é estarmos perante um bom produto de televisão. A questão é que Hannibal não é só uma boa série. É uma obra de arte. É um manjar. Bon apétit.

Hannibal já terminou a primeira temporada, quer nos Estados Unidos (NBC), quer em Portugal (AXN), e foi renovada para uma segunda.

Avaliação: *




*
☆☆☆☆☆- Péssimo
★☆☆☆☆- Mau
★★☆☆☆- Razoável
★★★☆☆- Bom
★★★★☆- Muito Bom
★★★★★- Excelente

0 comentários