EM ÉPOCA ESTIVAL, POUCOS LEVAM A MAL (CRÍTICA A CANTE SE PUDER)

21:30

Se pesarmos, num dos pratos da balança, o mau gosto e o riso fácil do novo programa de Domingo à noite da SIC e, no outro, a leveza e o divertimento requeridos desta época, qual pesará mais?

Cante se Puder é um programa mau. Quanto a isso, não restam dúvidas. Contudo, quem o escolheu, para preencher as noites de Domingo do terceiro canal, deverá ter pleno conhecimento desse facto. Prova disso é a inexistência de grandes tentativas para camuflar a fatuidade dos concorrentes desafinados aos saltinhos no estúdio, ou a avassaladora descontracção da dupla de apresentadores.


E é essa genuinidade que torna o programa de cantigas falhadas não tão intragável como à primeira vista possa parecer. Uma genuinidade já presente na versão americana Killer Karaoke e, embora menos, no original britânico Sing If You Can.


Convém salientar que Cante Se Puder conseguiu buscar os aspectos mais interessantes, embora não concorde com a escolha alguns deles, das duas versões em questão: Os jogos, a estrutura e as cores do estúdio do formato apresentado por Steve-O e a duração prolongada, em tom de gala, bem como a presença de famosos, do programa inglês.


Já o conceito, esse, é o mesmo em todas as versões do programa: Os concorrentes têm de cantar - e não podem parar de o fazer, apesar de não haver nenhuma punição caso a regra não seja respeitada - enquanto se sujeitam à humilhação que jogos de tortura e medo lhes proporcionam.


Por outro lado, o que destoa o programa português dos restantes é a postura dos apresentadores, o prémio final e as peripécias em estúdio.
Se não, vejamos: A presença de Andreia Rodrigues é absurdamente desnecessária, não contribuindo, graças à falta de talento, em nada para o bom funcionamento do programa. Ainda assim, a cumplicidade com César Mourão torna-a ligeiramente tolerável;


Mesmo depois de terminadas as provas (por exemplo, Terapia de Choque), os apresentadores insistem em torturar os concorrentes, como se eles lhes agradecessem por isso. Ora, neste género de programas, em que os concorrentes anónimos são sujeitos a provas que lhes provocam pavor, os apresentadores deveriam ser vistos como um porto de abrigo, alguém em quem se pudesse confiar - também para se estabelecer uma maior ligação entre os apresentadores e o público em casa. Mas, em vez disso, preferem transformar o estúdio numa espécie de arena, em que é permitido fazer-se tudo a quem lá entra;


O prémio final é, no máximo, uma piada de mil euros, o que faz, de certo modo, com que o programa não seja olhado com grande seriedade. Bem sei que a época de Verão é para ser encarada dessa forma, mas parece-me que a SIC se está a aproveitar disso mesmo para fazer cortes ao desbarato. Bom, pelo menos existe prémio, ao contrário do que acontece na parolice que é OK KO;


Por último, os convidados "especiais" surgem em estúdio sem razão aparente e sem serem, sequer, concorrentes, para, unicamente, se encher mais uns minutos de programa, tornando-o demasiadamente longo.


Acredito que Cante Se Puder cometa ainda mais erros, mas está a fazê-lo na chamada silly season, sendo que é um produto com forte fama a nível mundial e perfeitamente enquadrado na época em que nos encontramos. É desafinado? É. Mas o que não falta para aí são bêbados em bares com karaoke. E a assistência diverte-se com eles.

Cante se Puder é transmitido aos Domingos, às 21:25h, na SIC.

Avaliação: *



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