OUTRORA, AGORA E SEMPRE (CRÍTICA A AGORA)

19:02

O magazine cultural da RTP2 consegue fazer aquilo a que se propõe. Contudo, enquanto que, por um lado, tenta ter mais qualidade e ligeireza, por outro não passa de um programa desfalecido e um pouco pretensioso.

Agora que Câmara Clara terminou, a RTP2 decidiu criar outro magazine cultural, que, embora tenha pequenas diferenças do anterior, assenta no mesmo propósito: Trazer-nos a actualidade das artes e da cultura de Portugal e dos países lusófonos.


Apesar de preferir o conceito de Câmara Clara, ainda que tenha tido bastantes lacunas, é notório o esforço da RTP2 em fazer Agora num tom ligeiramente diferente - e melhor - do programa que está a substituir.
E tudo começa em quem está na sua condução: Desta vez, é Filomena Cautela a apresentadora escolhida. Tendo em conta a sua jovialidade, frescura e paixão pelas artes, não vejo melhor opção.


Depois, a iluminação e os espaços em que se grava o programa são muito mais convidativos do que o buraco escuro e em tons "vermelho-inferno" onde nos aparecia, arrepiantemente, saída de uma sombra, Paula Moura Pinheiro.


Já as reportagens mostradas dizem respeito a, na sua maioria, temas que, além de interessantes e com falta de visibilidade, são pouco monótonos. E, falando-se nas reportagens, a realização e a qualidade das imagens são do melhor que se faz em televisão, em programas do género. Logra-se fazer planos inteligentes e dinâmicos, mesmo quando a peça se trata de objectos estáticos e temas difíceis de serem transpostos para o ecrã.


Todavia, a novidade - se é que se pode chamar disso - fica-se por aqui. De resto, Agora não traz nada de novo. Podia continuar a chamar-se de Câmara Clara, que pouca gente iria notar as diferenças, pelo menos nos diários. É que, aos Domingos, já não se fazem entrevistas de fundo a escritores ou pintores, como o programa anterior fazia. Desta vez, simplesmente nos são mostradas mais reportagens, cada uma com uma duração desnecessariamente longa, sendo que Filomena Cautela apenas as apresenta. Porque, no que toca à execução das peças propriamente ditas, a apresentadora lava daí as suas mãos.


Já a sua postura parece-me instável. A sua presença dá-nos logo uma sensação de descontracção, o que é de louvar. Mas, por vezes, o tom de voz de Cautela torna-se mais baixo, sério, como que tentando ser algo que não é.
É possível fazer-se serviço público, como já vinquei numa crítica anterior, de forma leve e pouco jactanciosa. É pena que quem está na RTP2, no afã de querer mostrar algo mais alternativo, cultural e pouco comercial, não se aperceba disso.

Agora é transmitido aos Domingos, na RTP2, às 21:39h, e tem a duração de cerca de uma hora. Mas também pode ser visto diariamente, às 21:55h, com uma duração de apenas cinco minutos.

Avaliação: *




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