AGORA VAMOS BRINCAR ÀS BRUXAS (CRÍTICA A AMERICAN HORROR STORY: COVEN)

16:19

Nunca fui fã do género Terror. Mas American Horror Story está num estado de tamanho nonsense que já nem assim pode ser categorizada.

Se querem apanhar um bom susto nesta noite de Halloween, aconselho-vos a ver as três temporadas de American Horror Story. É que a história da primeira temporada é brilhante - aliás, considerei-a a melhor série do ano televisivo 2011/2012; mas a segunda, sem que nada o fizesse prever, é um terror, de tão mal escrita, e a terceira vai no mesmo caminho.
Pior susto que este não pode haver.


Ryan Murphy, neste terceiro ano da pseudo série de terror do canal FX, disse-nos que a história ia ser mais light que a do ano passado, que foi um verdadeiro disparate. Porém, Ryan, o que os telespectadores querem, vindo de uma série que tem a palavra Horror no título, não é, com certeza, momentos leves e pouco assustadores. É uma boa história. E isso, mais uma vez, não nos soube dar.


A trama central, essa, é tão vazia que até mete dó descrevê-la.

Tudo começa quando Zoe (Taissa Farmiga) mata magicamente o seu namorado quando está a fazer sexo com ele. Sem delongas, na cena seguinte, a sua mãe diz-lhe que é uma bruxa e que tem de ir para uma espécie de escola, onde vai aprender a controlar os seus poderes. E adeus, mãe, já não interessas para a história, nem sequer mencionada és.
Na casa para onde é enviada, Zoe encontra mais três raparigas como ela, todas elas com personalidades extremadas. A mentora delas, Cordelia (Sarah Paulson), tem problemas em engravidar. Mas outros problemas vão surgir, quando a sua mãe, Fiona (Jessica Lange), a chamada bruxa suprema, decide ir viver para lá.



É claro que a trama é mais do que esta sinopse indica: Cada personagem tem o seu percurso e um determinado problema. A questão é que esses conflitos não são originais, as cenas que proporcionam ou são previsíveis, ou simplesmente embaraçosas para o telespectador e a história não é muito mais do que isso. A personagem de Jessica Lange, por exemplo - e para não variar - quer ser jovem e, por isso, pede ajuda à sua rival, que tem uma poção mágica, ou coisa que o valha, para esse "mal" que é a velhice. Mas, claro está, como são rivais, a bruxa Marie (Angela Bassett) não a vai ajudar.



Já Zoe ressuscita, instigada por Madison (Emma Roberts), um rapaz por quem se estava a apaixonar e que a amiga havia morto, juntamente com outros tantos, num autocarro, depois de ter sido absusada sexualmente por alguns deles (mas não se preocupem; nos episódios seguintes ela já não se mostra minimamente afectada por isso). A sua história passa, então, por lidar com o facto de Kyle já não ser o mesmo, depois de voltar à vida. Não obstante, a mim, parece-me que elas só o ressuscitaram para Evan Peters aparecer sempre de tronco nu no ecrã.


Contudo, não me interpretem mal: Não fiquem com a ideia de que não há espaço para os personagens crescerem porque se limitam a lidar sempre, em todos os episódios, com as mesmas situações. Não. Há sempre coisas a acontecer: Ora aparece um homem com uma máscara de búfalo, ora aparecem outras personagens para fazerem obscenidades em Horário Nobre, e até já ouvi dizer que vêm aí zombies. Com sorte, ainda nos aparece o Abraham Lincoln vindo dos mortos. Tendo em conta que na temporada anterior apareceu a Anne Frank, não ficaria sobremaneira admirado.


Apesar de a realização ser dinâmica e arguta, é esta escrita, focada em transpor perversões para o ecrã e em imaginar situações do mais rocambolesco possível, que faz descer a qualidade do produto, rarear a forte componente de terror... Mas aumentar as audiências.
E pronto, assim já Ryan pode dormir descansado. Afinal de contas, o que conta é o share que se obtém, não é? São os números que nos dizem se um produto é bom ou mau. Espero, apenas, que, um dia, depois de um pesadelo terrível, não acorde tarde de mais...
Feliz Noite das Bruxas.

American Horror Story: Coven é transmitida no canal FX e, em Portugal, pode ser vista na FOX.

Avaliação: *


*
☆☆☆☆☆- Péssimo
★☆☆☆☆- Mau
★★☆☆☆- Razoável
★★★☆☆- Bom
★★★★☆- Muito Bom
★★★★★- Excelente

2 comentários

  1. AHS é uma série de Horror, não Terror, e caso não saiba, Terror e Horror são categorias muito diferentes.

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  2. @Anónimo, obrigado pelo comentário.
    De facto, segundo pesquisei, existe uma diferença entre os dois géneros, mas não são assim tão diferentes quanto diz. E penso que o facto de ter categorizado a série como sendo de "Terror" não prejudicou o resto do texto.
    Além disso, a série, actualmente, pode ser do género Horror, mas, a meu ver, a primeira temporada, pelo menos, insere-se mais no género Terror.

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