SOL INVERNOSO (CRÍTICA A SOL DE INVERNO)

18:36

A nova novela da SIC consegue ser melhor que a antecessora. Mas a verdade é que não é o passo em frente na ficção nacional que tanto se apregoava.

A SIC aprendeu tanto com as telenovelas da TVI que, agora, ao que parece, até nos promete mais do que realmente tem para nos dar. Antes de Sol de Inverno estrear, Rogério Samora chegou mesmo a vincar que, com esta telenovela, a ficção portuguesa nunca mais seria a mesma. 
Ora, com tamanha abastança de elogios e promessas, as expectativas para a telenovela protagonizada por Rita Blanco eram mais que elevadas.


A questão é que o terceiro canal, com esta produção, parece ter-se encostado à sombra das elevadas audiências que Dancin' Days granjeou. Sol de Inverno é ligeiramente melhor que a telenovela anterior, sim, mas isso não quer dizer que seja boa. Até porque, ao contrário de muitos, não considero que Dancin' Days tenha sido uma grande história, como explicitei nesta crítica.


A origem do conflito central da novela em causa, assinada, mais uma vez, por Pedro Lopes, é mais simples e menos fulgurante que a da anterior (mas, ainda assim, o seu desenvolvimento acaba por dar azo a momentos mais interessantes). Além disto, as personagens secundárias, embora sejam menos irritantes que as de Dancin' Days, continuam desinteressantes.

Laura (Maria João Luís) e Sofia (Rita Blanco) são sócias de uma empresa de sapatos de renome, a Boheme, e as melhores amigas. Francisco (Ricardo Carriço), marido de Laura, esconde uma paixão enorme por Sofia, tentando, por algumas vezes, aproximar-se intimamente dela. Contudo, Sofia sempre o rejeitou.
Francisco acaba por morrer tragicamente e Laura, enquanto tenta refazer a sua vida, descobre e-mails apaixonados que o marido enviara à amiga. Precipitadamente acusa-a de a ter traído com ele. Sofia tenta defender-se, mas já não há nada a fazer: Laura vai fazer de tudo para lhe arruinar a vida, acusando-a de desviar dinheiro da empresa. O que Laura não sabe é que Sofia, um dia, vai reerguer-se e pagar-lhe na mesma moeda.


Os momentos de tensão entre Laura e Sofia são, de facto, o que de melhor tem esta produção, ou não fossem protagonizados por duas actrizes com grande carisma e uma química explosiva entre si. Todavia, essas cenas são de uma esporadicidade extrema, sendo que só nos primeiros episódios é que as duas mais contracenaram. Agora, chegaram ao ponto de mal falarem uma da outra, fazendo vidas completamente separadas.


A propósito disto, a vilã Laura de pouco ou nada tem de vilã. Tem potencial para ser uma das melhores vilãs de sempre - a prestação de Maria João Luís assim o indica - mas acaba por nunca cometer atrocidades, limitando-se a ter uma personalidade fria e movimentos controlados e firmes. Parece-me que, aqui, houve um erro qualquer. Ouvi dizer que nesta novela não iria haver vilões, mas que, por outro lado, a personagem de Maria João Luís iria ser uma antagonista capaz de tudo para destruir a rival. Acabou-se, portanto, por se criar uma coisa híbrida. Parece que estamos num carro mais do que pronto para arrancar a toda a velocidade, mas que, em vez disso, está parado a gastar gasóleo.


Quanto aos temas sociais abordados pelos restantes personagens da novela, não são o tal retrato perfeito da sociedade portuguesa, como Rogério Samora também prometera que seria. Mas também posso estar enganado: Se calhar, a maioria da população mora em palacetes antigos, ou faz surf, equitação, tem casos amorosos com os patrões, trabalha em fábricas de calçado que vão de vento em poupa, etc, etc.
Honestamente, os temas mais interessantes dos núcleos secundários são a insuficiência renal, vivida pela personagem de Inês Castel-Branco e o casal homossexual composto pelas personagens de Ângelo Rodrigues e Rui Neto, apesar de nem um beijo terem ainda trocado.


A realização, essa, é do melhor que há, no que concerne ao trabalho com multi-camara, mas estava à espera que houvesse mais cenas gravadas em single-camara, ao menos no primeiro episódio. A direcção de fotografia também é boa, no sentido em que nos é transmitido o tal glamour da história. Não obstante, por outro lado, a distinção entre luz de dia e de noite não está assim tão vincada, o que dá a ideia de o tempo não avançar.


Por fim, continuo a não perceber a insistência na criação de núcleos cómicos que não nos levam a lado nenhum, a não ser à acefalia. Nas histórias de Pedro Lopes, é algo que nunca falta; aliás, sobra - e muito. Ainda por cima, as peripécias das vidas desses personagens ocupam a maior parte dos episódios.
Não é que estes personagens, volto a frisar, sejam mais ineptos e dispensáveis que os de novelas anteriores. A questão é que nos foi prometido algo de diferente, de soberbo, e o que temos aqui é um produto com algum potencial, mas que foi mal aproveitado, por preguiça, talvez. É que, de momento, nem o gancho no final dos episódios é respeitado.


Continuamos no tal carro, último modelo, pronto a arrancar, mas que não sai do mesmo sítio. Continuamos à espera de ver um Sol resplandecente, mas que se encontra tapado pelas nuvens, frouxo, emoliente... Invernoso.

Sol de Inverno é transmitida de segunda a sábado, às 21:30h, na SIC.

Avaliação: *


*
☆☆☆☆☆- Péssimo
★☆☆☆☆- Mau
★★☆☆☆- Razoável
★★★☆☆- Bom
★★★★☆- Muito Bom
★★★★★- Excelente

4 comentários

  1. _ _' Novela excelente...Só digo isto, as produções da SIC são sempre mais interessantes que as da TVI... NO 4º canal a história é sempre a mesma basicamente!!! Traições, amores proibidos, mortes, etc etc... BLA BLA BLA BLA Até enjoa passar na TVI à noite é só Novelas, não dá mais nada!!!

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  2. @Anónimo,
    Obrigado pelo comentário.

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  3. Pobre novela...Muito boas palavras!
    http://diversasfasesdalua.blogspot.pt/
    http://oblogdodesassossego.blogspot.pt/2013/10/sol-de-inverno.html

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  4. Bom em primeiro a melhor Portuguesa que já vi é Laços de Sangue a vencedora do Emmy internacional e na minha opinião merecida,
    Em relação a esta novela não esta boa, melhor dizendo a história esta muito mal construída não há uma boa história base para a levar ... Na minha opinião a história que usaram como base é pra ser uma história secundário ... tenho muita não vou conseguir escrever tudo ... A SIC precisa de mais Guionistas profissionais e muito criativo sem medo de exasperar, ter mais audácia nas cenas ... fazer o telespectador parar de fazer alguma coisa pra ver a cena, tem de chamar atenção mas é que até os beijos são michurucas GOD Precisam de mim urgentemente, really

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