ENTRETENIMENTO DE EXCELÊNCIA (CRÍTICA A MASTERCHEF PORTUGAL)

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Conquanto a sua edição pudesse ser ainda mais elaborada, é notório o empenho da TVI em fazer de Masterchef Portugal a sua melhor mega-produção dos últimos anos.

A aposta numa programação da excelência nunca é um erro. O público, por mais baixa que seja a classe a que pertence, sabe o que é boa televisão e almeja assisti-la. O truque para o sucesso é encontrar-se um equilíbrio entre o gourmet televisivo e a programação para massas. E Masterchef Portugal fá-lo eximiamente.


O programa já não é novidade por terras lusitanas. Em 2011, a RTP foi a estação televisiva que decidiu enveredar pelo mundo das competições culinárias ao apostar numa versão portuguesa deste sucesso internacional. E saiu-se optimamente.
Contudo, ao compararmos a versão do canal público com a da TVI, chegamos à conclusão de que o programa do canal quatro é bem mais fiel às versões estrangeiras em praticamente todos os aspectos - nomeadamente à australiana: Nos desafios executados (que não se limitam a explorar a comida portuguesa), no cenário, na aposta em provas exteriores e no ambiente em geral.


O seu funcionamento é bastante simples, mas bem estruturado e attirant: Primeiro, os aspirantes a Masterchef competem entre si numa prova que dá vantagem ao vencedor no desafio no exterior, altura em que são divididos por equipas e a que tiver um desempenho aquém do esperado é levada a uma eliminatória, de onde um dos concorrentes é eliminado.


Apenas a realização e edição poderiam ter sido mais bem pensadas nesta aposta da TVI, não que nos tenham mostrado um frouxo trabalho. Nada disso. Mas acontece que, aqui e ali, encontramos erros de edição básicos, como por exemplo a repetição de uma fala ou de uma cena. E a realização, essa, poderia ser bem mais frenética, de modo a acentuar-se a pressão que os concorrentes sentem em cada uma das provas que enfrentam. Nesse aspecto até Chefs' Academy, da RTP1, fez um trabalho mais competente.


E porque um programa deste tipo só funciona graças aos concorrentes, importa exaltar o leque de participantes, dotado de algumas figuras carismáticas e marcantes, transbordantes de emoções, que, em casa, nos fazem sentir empatia para com eles.


Já o júri não me convence tanto quanto os concorrentes, embora esteja a melhorar cada vez mais em termos de prestação. É que é notório o pouco à-vontade de Miguel Rocha Vieira e Rui Paula nos momentos em que têm de explicar uma prova ou apresentar ou convidado especial. Por seu turno, Manuel Luís Goucha conseguiu encontrar um registo diferente do que tem em Você na TV!, sem nunca perder a autenticidade, provando mais uma vez ser o melhor comunicador que actualmente podemos ver em televisão.


A televisão tem de evoluir. O público está a ficar mais exigente. E a qualidade dos programas transmitidos tem de corresponder a essa exigência.
E com programas com a qualidade de Masterchef, a TVI não só mantém o seu público habitual, como dá um docinho aos telespectadores da classe A, que nunca deveria ser esquecida. Não estamos perante Strawberries Arnaud, mas também não temos aqui um gelado de gelo do café da esquina. Temos tudo o que está entre esses dois pólos. E é tão delicioso.

Masterchef Portugal é transmitido na TVI aos sábados, por volta das 21:50h.

Classificação: *



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★☆☆☆☆- Mau
★★☆☆☆- Razoável
★★★☆☆- Bom
★★★★☆- Muito Bom
★★★★★- Excelente

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