ESTRELA DECADENTE (CRÍTICA A RISING STAR)

21:47

O único aspecto inovador de Rising Star é o processo de votação. E isso não chega para o tornar num bom programa.

Foi apresentado pela TVI como uma lufada de ar fresco. Este seria o programa que iria revolucionar o entretenimento em televisão para sempre. Afinal de contas, o formato que aproxima ainda mais a televisão da internet foi um sucesso na Arábia Saudita e foi comprado por inúmeros países, incluindo os Estados Unidos. Mas a verdade é que, pelo menos em Portugal, Rising Star - A Próxima Estrela não passa de um medíocre programa de cantigas. E a isto se devem vários factores.


É certo que este é um programa "jovem", como tal percebo que Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha não tenham sido escolhidos para o apresentar. O problema é que, sem eles, a TVI não tinha mais ninguém competente à disposição.
A escolha acabou por recair em Leonor Poeiras, que, embora lhe tenha torcido o nariz antes de o programa estrear, está a ter uma muito satisfatória prestação. Contudo, Pedro Teixeira não foi, de todo, a melhor opção para co-apresentar uma das maiores apostas do ano do canal quatro.


O ex-companheiro de Cláudia Vieira surge sempre visivelmente nervoso, soltando risadinhas irritantes a cada três segundos, não sabe o que perguntar às pessoas que tem à frente, nem tampouco dizer-nos quem são. Ademais, apercebemo-nos de que a sua presença é dispensável porquanto apenas surge a entrevistar familiares dos participantes nos minutos em que urge encher-se chouriços, enquanto os telespectadores fazem check-in na aplicação do programa para poderem depois votar, ou para concordar com o que Leonor Poeiras diz.


Mas este pseudo-apresentador não é a única fava no bolo. O painel de jurados é do mais tíbio e enfadonho que alguma vez vi em televisão. Arrisco mesmo em dizer que a falta de vitalidade de cada um dos elementos nos faz esquecer que eles têm um dos papéis mais importantes na escolha dos concorrentes que estão a cantar. Nunca vi jurados com tanta falta de química, a discursarem em tom pianíssimo, sem projecção na voz, e a dizerem inauditos despautérios, fruto de parvoíce crónica (como apelidarem musicais da Broadway de "azeitolas", sem a mínima justificação - como se a houvesse).


Tudo isto aliado ao facto de o programa assentar sempre nos mesmos moldes (os concorrente surgem em palco, cantam antes de saberem se passaram para a fase seguinte e dão depois lugar aos seguintes) torna-o repetitivo e desinteressante. Porque, tal como dizia Teresa Guilherme numa entrevista ao A Televisão, se os telespectadores não encontrarem num Talent Show um concorrente por quem queiram muito torcer, é difícil manterem o interesse. E é preciso saber-se dinamizar um programa deste tipo. Ter-se vários truques na manga. Porque apenas promovê-lo como um concurso em que o processo de votação é distinto dos demais nem é naïve; é simplesmente acéfalo.


Acredito que o formato em si tenha os ingredientes certos para ser fantástico. A questão é saber escolher-se os ingredientes de qualidade.

Rising Star - A Próxima Estrela é transmitido aos Domingos, na TVI, por volta das 21:20h.

Avaliação: *


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