RUI VILHENA: O MESTRE DO RITMO

18:42

Get to the fucking point. Esta foi a lição de escrita de telenovelas que Rui Vilhena nos deu em 2005, com o sucesso Ninguém Como Tu, e foi em torno dela que o curso que deu em Lisboa, nos passados dias 14 e 15 de Janeiro, assentou.

Sempre admirei o guionista e autor de séries e telenovelas Rui Vilhena, pela vincada marca que deixa nos produtos que escreve. De igual modo, sempre pensei que tal se devesse maioritariamente aos diálogos espirituosos - as pérolas, como o público lhe chama - das personagens.


Todavia, no curso de dois dias que o autor da Globo deu na Palavras Ditas, em Lisboa, provou-se que o sucesso das suas novelas vai muito para além disso.
Segundo Vilhena, o sucesso de uma telenovela passa, impreterivelmente, por três factores:
1 - Originalidade do tema central da história;
2 - Alma, encontrada nos diálogos;
3 - Ritmo dos episódios.

Com efeito, o terceiro ponto é a chave de tudo. Porque só com a noção de ritmo logramos estruturar todos os episódios e todas as cenas de uma novela -  ou do que quer que estejamos a escrever.
Mas o que é o ritmo?


Uma telenovela com longos diálogos por personagem, com cenas de quatro ou cinco páginas em catadupa, não convence. Torna-se chata.
Cada vez mais - muito por culpa do desenvolvimento das plataformas online - o público tem menos paciência para prestar atenção ao que vê. E só com cenas curtas e diálogos fortes e concisos, que fiquem no ouvido, é que se consegue cativar e prender a atenção.


Na vida real, isso foi aplicado por Donald Trump, que usou o Twitter para, de forma curta e grossa, passar a sua mensagem. Mesmo nas intervenções públicas durante a campanha eleitoral, pautou-se por usar frases de fácil compreensão, muito concisas, e sempre fortes. Tão fortes que, para nossa desgraça, foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América. Mas essa é outra conversa.

Não há uma novela de Rui Vilhena que não se siga por estes parâmetros. Todas as cenas são um espectáculo. Por serem curtas, com personagens que têm de facto algo importante a dizer - de forma sarcástica, ou irónica, ou contundente - e por não andarem à volta dos problemas que têm de ser resolvidos. Elas vão directas ao assunto. Muitas vezes, apanhamos a cena já in media res, com as personagens já a revelar um segredo, ou a sofrer as consequências dessa revelação, ou a acabarem de criar outro mistério.
É-nos tudo atirado à cara, de forma rápida, e pedindo-nos para tomarmos atenção. Por conseguinte, o nosso subconsciente, ávido por perceber o que se passa à sua volta, insta-nos a que fiquemos agarrados ao televisor.
E a usufruir de um bom produto de televisão.

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