VAMOS PÔR OS PONTOS NOS IS SOBRE A SUZANA - ON C@LL

17:52

Para quem ainda não sabe, a série On C@ll, criada e escrita por mim, estreia já na Segunda-feira, dia 6 de Maio, na RTP Play. E, ao que tudo indica, a personagem principal, Suzana, vai gerar controvérsia.


Antes de mais, se já leram a sinopse da série AQUI, ficaram a saber que o tema por detrás das peripécias cómicas da trama, o que dá valor à história, é que o On C@ll é, no seu âmago, uma crítica vincada aos dois tipos de jovens de hoje em dia: de um lado temos os muito tímidos, com problemas de expressão e que se refugiam no silêncio dos ecrãs; do outro temos os muito expansivos, com uma necessidade visceral de se mostrarem nas redes sociais e de fazerem notar a sua superfluidade. A personagem Suzana é, precisamente, uma caricatura aparente deste último tipo de jovens adultos.


Nesta lista de reprodução (que funciona como se fosse o seu canal de Youtube) ficam já com uma ideia das características da personagem: A Suzana é materialista, alheada da realidade, adicta às novas tecnologias e em parecer perfeita... e é também muito sensual e sexual. Ela auto-intitula-se "massagista em Monsanto" e usa o corpo para subir na vida.


No entanto, com a Suzana, não estamos, de todo, a querer perpetuar o estereótipo da objectificação e sexualização da figura feminina. Antes pelo contrário: A Suzana, sobretudo no primeiro episódio, apresenta-se como um produto da Sociedade, que é paternalista e machista. Com ela, estamos a criticar e a brincar com os estereótipos retrógrados e errados ligados à figura feminina.

Portanto, a Suzana serve dois propósitos: é uma crítica exagerada a um tipo de millennials fútil e é também uma chamada de atenção à sociedade retrógrada que ainda persiste. É claro que esta crítica está camuflada por muitos momentos de pura diversão e comédia leve, pois esta é uma comédia romântica, não uma palestra sobre igualdade de género, e eu acredito que não existem limites para o humor.


Ademais, se não ficarem com preconceitos acerca da série aquando da estreia, convido-vos a assisti-la até ao último episódio. Porque ela é, nomeadamente no que toca à personagem Suzana, uma metáfora da emancipação feminina, na qual temos inicialmente uma mulher objectificada e sexualizada - um produto da Sociedade - que faz uma viagem emocional, culminando na sua transformação, soltando-se das amarras da sociedade e assumindo quem realmente é. E quem é ela, afinal?... Terão de acompanhar os episódios para perceber.


Quem me conhece sabe que sou homossexual, de esquerda, e muito alerta para questões de igualdade de direitos e identidade de género. Como tal, não façam juízos de valor sem antes ver a série toda. Possivelmente muitos assumirão, depois do primeiro episódio, que a Suzana nunca vai mudar no resto dos episódios; talvez por desconhecerem que uma boa série ou filme causa uma transformação nos seus personagens ao longo da sua viagem, tornando-os completamente diferentes no final.

E a Suzana vai viajar. Emocionalmente. E vai ser tão bom de assistir.

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