O meu sonho sempre foi - e será - escrever para televisão. Apostei muito na formação e sacrifiquei muito do meu tempo profissional e pessoal para conseguir singrar num mercado que, por norma, não se abre a novos argumentistas. E a verdade é que, às vezes, depois de muito batalharmos, a vida compensa-nos com bons presentes. E poder integrar a equipa de escrita da telenovela "Nazaré", que estreia hoje na SIC, foi um dos melhores.
Antes de avançar para as características desta telenovela que a elevam a um patamar de qualidade claramente superior, quer na sua estrutura quer no texto, tenho de agradecer à autora Sandra Santos, ao subcoordenador Pedro Barbosa da Silva e à equipa de argumentistas Pedro Cavaleiro, Ana Lúcia Carvalho, Andreia Vicente Martins, Joana Andrade, Sandra Zigue Machado, Melissa Lyra e Alexandre Castro. Por me terem acolhido, amparado, acompanhado e ensinado tão bem nesta jornada. E, sobretudo, por me terem dado Vida. Uma vida de que estava a precisar. Por serem criativos, expansivos a expressar emoções, generosos, humanos.
O que fica mais marcado no coração são essas relações humanas, não importa o sucesso de um projecto.
Mas este, por ser um projecto cheio de verdade, humanidade e muita competência e entrega por parte de quem o escreve, vai destacar-se em termos qualitativos:
- Temos finalmente uma protagonista que carrega a história às costas (ao ponto de a própria produção ter o seu nome); uma protagonista verdadeiramente activa, tendo atitudes humanas, quer para o bem, quer para o mal; uma protagonista que foge de maniqueísmos e que, por isso, se apresenta com várias camadas de personalidade, elevando-a ao mesmo estatuto de uma personagem de série.
- Mas temos também uma rede de personagens secundários absolutamente deliciosa. E o segredo é que ninguém é dispensável nesta história. Para o enredo principal funcionar, todos os personagens secundários têm de existir, pois todos fazem parte dele. Pode dizer-se que, de alguma forma, não há personagens secundários.
- O balanço entre a comédia e o drama é eficaz, os diálogos são fluidos e espirituosos, a estrutura de cada episódio é pensada ao milímetro e o ritmo das cenas e dos episódios é alucinante.
Estou muito expectante para ver o resultado final. De que forma é que actores, realizadores e produtores interpretaram o texto e a história tão bem pensada pela nossa autora e por todos os argumentistas que na "Nazaré" trabalharam.
Não há palavras para descrever o orgulho e a gratidão que tenho em relação a esta "Nazaré".
Não percam, hoje, às 21:19h, na SIC.












